top of page

ENSINAMENTOS

Rosh Hashana.png
ROSH HASHANÁ
Um Novo Ano Diante do Criador

Rosh Hashaná é uma das principais datas do calendário judaico. Seu nome significa literalmente “cabeça do ano”: rosh, “cabeça”, e shaná, “ano”.

 

É um tempo de reflexão, oração, teshuvá e renovação diante do Eterno. Um momento para olhar para o ano que passou, reconhecer o que precisa ser corrigido e iniciar um novo ciclo com propósito.

1. O que é Rosh Hashaná?

Na Torah, a expressão Rosh Hashaná ainda não aparece como nome da celebração. O primeiro dia do sétimo mês, Tishrei, é apresentado como um dia especial de descanso, convocação e toque do shofar.

Na Torah está escrito:

a) Vayicrá (Levítico) 23:24

24 "Fala aos filhos de Israel, dizendo: No sétimo mês, o primeiro dia do mês será para vós descanso solene, memorial de toque de Shofar, convocação de santidade.

b) Bamidbar (Números) 29:1

1 E no sétimo mês, no primeiro dia do mês, haverá para vós convocação de santidade; nenhuma obra servil fareis, pois será dia de toque do Shofar para vós.

Por isso, a Torah também chama esse dia de Yom Teruá, o “Dia do Toque” ou “Dia do Toque do Shofar”.

O significado do shofar

O shofar ocupa um lugar central em Rosh Hashaná. Seu som funciona como um chamado ao despertar. É tempo de parar, observar a própria vida e perceber o que precisa mudar.

A tradição judaica relaciona o shofar à teshuvá, à reflexão e ao reconhecimento do reinado do Eterno.

Teshuvá costuma ser traduzida como “arrependimento”, mas a palavra traz principalmente a ideia de retorno. Retornar ao caminho. Corrigir uma direção. Reaproximar-se do Criador.

Assim, Rosh Hashaná inicia um período ainda mais intenso de reflexão que segue até Yom Kipur.

O reinado do Eterno

Outro grande tema de Rosh Hashaná é a Malchut, o reinado do Eterno. Na liturgia tradicional da data, aparecem as Malchuyot, passagens que proclamam o Criador como Rei.

Essa ideia também aparece muitas vezes no Tanach:

Zehariá (Zacarias) 14:9

9 E o Eterno será Rei sobre toda a terra; naquele dia, o Eterno será um e Seu Nome, um.

Rosh Hashaná nos convida a começar o ano lembrando que a vida possui direção e que nossas escolhas são feitas diante do Criador. É uma boa oportunidade para avaliar quais valores têm conduzido nossa vida e quais mudanças desejamos fazer no novo ciclo.

“O Rei está no campo”

Uma expressão bastante conhecida no período que antecede Rosh Hashaná diz: “O Rei está no campo.” Ela não aparece na Torah e originalmente também não se refere ao próprio Rosh Hashaná.

A expressão vem de uma parábola apresentada por Rabi Shneur Zalman de Liadi, o Alter Rebbe, no Likkutei Torah, para explicar o mês de Elul.

A imagem é a seguinte: Quando o rei está dentro de seu palácio, chegar até ele exige passar por portas, guardas e protocolos. Quando ele sai e passa pelo campo, torna-se acessível às pessoas comuns. Todos podem aproximar-se, e o rei recebe a todos com uma expressão favorável.

Elul é comparado a esse período de proximidade. É um tempo especialmente apropriado para oração, reflexão, teshuvá, reconciliação e preparação para o novo ano.

Quando chega Rosh Hashaná, a imagem muda. O Rei está novamente no palácio, e o tema passa a ser o reconhecimento de Sua realeza.

A conhecida expressão “o Rei está no campo”, portanto, fala principalmente sobre Elul e a preparação para Rosh Hashaná.

Por que Rosh Hashaná é chamado de Dia do Julgamento?

A tradição judaica também apresenta Rosh Hashaná como Yom HaDin: Dia do Julgamento.

A Mishná* ensina:

Mishná Rosh Hashaná 1:2

Em Rosh Hashaná, todos os habitantes do mundo passam diante Dele.

A própria Mishná* relaciona esse ensino a Tehilim:

Tehilim 33:15

Aquele que forma o coração de todos eles, que considera todas as suas obras.

A ideia é simples e profunda: nossas escolhas importam. O ano que passou pode ser revisto com sinceridade. Como tratamos as pessoas? Fomos justos? Fomos gratos? Usamos bem nossas palavras? Há algo que precisamos reparar?

Rosh Hashaná traz essa consciência de responsabilidade, mas também esperança. Podemos reconhecer erros, corrigir caminhos e escolher viver o próximo ciclo de maneira melhor.

2. Como o povo judeu celebra Rosh Hashaná?

Rosh Hashaná é celebrado durante dois dias na tradição judaica. Existem diferenças entre os costumes ashkenazitas, sefaraditas, mizrahim e outras comunidades, mas alguns elementos são amplamente encontrados:

  • orações especiais;

  • toque do shofar;

  • refeições festivas;

  • alimentos simbólicos;

  • votos por um ano bom;

  • reflexão e teshuvá;

  • encontros familiares e comunitários;

  • Tashlich, conforme o costume de cada comunidade.

Tashlich

O Tashlich é realizado tradicionalmente próximo a um corpo de água. Seu nome está relacionado às palavras de Mihá:

Mihá 7:19

19 Ele novamente terá compaixão de nós, suprimirá nossas iniquidades e lançará todos os nossos pecados às profundezas do mar.

A cerimônia envolve orações e reflexão sobre o abandono dos erros do passado. A água não “remove” os pecados. O gesto serve como símbolo do desejo de abandonar caminhos errados e iniciar um novo ciclo.

3. Rosh Hashaná possui um significado universal?

Rosh Hashaná pertence ao calendário e à vida religiosa do povo judeu. Suas mitsvot e sua liturgia fazem parte da tradição de Israel. Ao mesmo tempo, alguns dos temas presentes na festa possuem um alcance universal.

A Mishná* afirma que, em Rosh Hashaná:

Mishná Rosh Hashaná 1:2

Todos os habitantes do mundo passam diante Dele.

A expressão utilizada não limita o julgamento somente a Israel. Existe ainda outro aspecto importante. Segundo a tradição judaica, Rosh Hashaná corresponde ao sexto dia da Criação, quando Adam, o primeiro ser humano, foi criado. Por isso, o dia também está ligado à relação da humanidade com o Criador.

O Tanach apresenta o Eterno como Rei de toda a terra:

Tehilim 47:3 e 8

3 Porquanto o Eterno, o Altíssimo, é excelso; Ele é o grande Rei sobre toda a terra.

8 Porque Deus é Rei em toda a terra; entoai-Lhe hinos com harmonia.

Assim, alguns princípios lembrados em Rosh Hashaná podem falar a qualquer pessoa: Existe um Criador. A vida possui propósito. Nossas escolhas possuem consequências. Somos responsáveis por nossos atos. Podemos corrigir caminhos. Podemos começar um novo ciclo de maneira melhor.

Uma pessoa que não pertence ao povo judeu pode aprender com esses princípios, preservando ao mesmo tempo a identidade judaica de Rosh Hashaná e o lugar particular de suas mitsvot dentro de Israel.

4. Orientação: Como nossa comunidade pode celebrar Rosh Hashaná?

Nossa comunidade não é uma comunidade judaica. Por isso, podemos nos aproximar de Rosh Hashaná com respeito, aprendendo com Israel sem transformar cada costume judaico em uma obrigação nossa.

Podemos utilizar esse período como um momento de reflexão diante do Criador, teshuvá, oração, gratidão e renovação. A celebração pode ser simples.

O som do shofar

Se houver um shofar e alguém que saiba tocá-lo, podemos ouvir seu som como um chamado à reflexão. Sem reproduzir toda a liturgia da sinagoga, podemos explicar à comunidade: “Que este som nos desperte para rever nossos caminhos e retornar ao que é bom.” Depois do toque, alguns momentos de silêncio podem ajudar cada pessoa a refletir.

Uma oração pelo novo ano

Podemos agradecer o ano que passou e pedir ao Eterno:

  • sabedoria em nossas decisões;

  • paz em nossas casas;

  • saúde e proteção;

  • capacidade de perdoar;

  • coragem para corrigir nossos erros;

  • oportunidades para praticar bondade;

  • maior aproximação do Criador;

  • amor pela Torah e por Seus ensinamentos;

  • shalom para Israel e para todas as nações.

Um momento de reflexão

Cada pessoa pode separar alguns minutos para pensar: Pelo que sou grato no ano que passou? O que preciso corrigir? A quem preciso pedir perdão? Quem precisa receber meu perdão? Que hábito preciso abandonar? Que boa atitude desejo fortalecer? Como posso me aproximar mais do Criador? Que pessoa quero ser ao final deste novo ciclo?

Teshuvá na vida prática

Teshuvá também envolve atitudes. Podemos escolher algo concreto para começar:

  • pedir perdão;

  • reparar uma injustiça;

  • retomar uma disciplina espiritual;

  • ajudar alguém;

  • buscar uma reconciliação;

  • cuidar melhor de nossas palavras;

  • estudar mais Torah;

  • estar mais presente dentro de casa.

Uma pequena decisão pode marcar o início de uma grande mudança.

Celebrar com alegria

Rosh Hashaná é solene, mas também é uma celebração marcada por refeições, família, comunidade e esperança.

Nossa reunião pode incluir boa comida, música, convivência, palavras de gratidão e alegria.

E podemos desejar uns aos outros:

Shaná Tová! (Um bom ano!)

Ou:

Shaná Tová Umetuká! (Um ano bom e doce!)

Termos usados no texto

Mishná: É uma das principais obras da tradição judaica. Reúne ensinamentos e discussões da tradição oral judaica, organizados por volta do início do século III. Seu texto trata de leis, costumes, festas, vida comunitária e diversos outros temas. A Mishná se tornou uma das bases para o desenvolvimento posterior do Talmud.

Talmud: É uma ampla coleção de discussões rabínicas sobre a Mishná e sobre muitos aspectos da Torah e da vida judaica. Reúne debates, interpretações, leis, histórias e reflexões desenvolvidas ao longo de vários séculos. Quando citamos o Talmud Bavli, por exemplo, estamos nos referindo ao Talmud Babilônico, que se tornou a principal referência talmúdica na tradição judaica.

Fontes e referências
Torah e Tanach
  • Vayicrá (Levítico) 23:23-25 - estabelecimento do primeiro dia do sétimo mês como dia de descanso, convocação e zichron teruá.

  • Bamidbar (Números) 29:1-6 - definição da data como Yom Teruá, dia do toque.

  • Devarim (Deuteronômio) 28:13 - “cabeça e não cauda”.

  • Tehilim 33:15 - fundamento citado pela Mishná para o julgamento de Rosh Hashaná.

  • Tehilim 47:3,8 - o Criador como Rei sobre toda a terra.

  • Zechariá 14:9 - o Eterno como Rei sobre toda a terra.

  • Michá 7:18-20 - passagem relacionada ao costume de Tashlich.

Mishná e tradição rabínica
  • Mishná Rosh Hashaná 1:2 - ensina que em Rosh Hashaná todos os habitantes do mundo passam diante do Criador em julgamento.

  • Talmud, Rosh Hashaná 32a-32b - discussão sobre Malchuyot, Zichronot e Shofarot, os temas de Reinado, Lembrança e Shofar presentes na liturgia de Rosh Hashaná.

“O Rei está no campo”
  • A comparação entre Elul, quando “o Rei está no campo”, e Rosh Hashaná/Yom Kipur, quando o Rei está no palácio, é explicada nos ensinamentos de Chabad.

Rosh Hashaná e a criação do ser humano
  • A tradição judaica relaciona 1º de Tishrei ao sexto dia da Criação, quando Adam e Chava foram criados. Rosh Hashaná, nesse sentido, recorda especialmente a criação da humanidade.

Alimentos simbólicos - Simanim
  • Chabad.org Brasil, “Alimentos Simbólicos” - referência em português sobre os diferentes alimentos utilizados nas tradições de Rosh Hashaná.

Tashlich
  • Chabad.org, “O Que Você Precisa Saber Sobre Tashlich” - explica o costume junto à água e sua relação com Mihá 7:18-19.





 

Elaboração e Pesquisa: M. Sérgio Teixeira 

SOBRE NÓS

Somos um povo dando continuidade no trabalho que o Elohim único iniciou há milhares de anos.

QUER NOS CONHECER?

Compareça em um dos nossos pontos de estudo informados no item CONTATOS

  • @live_miri

© 2023 por Ministério Remanescente de Israel.

bottom of page